Atividade física combatem a dor crônica

O neurologista Manoel Jacobsen, do Departamento de Neurologia da Faculdade de Medicina da USP e um dos coordenadores do levantamento “Dor no Brasil”, afirma que a dor crônica mais comum é a de cabeça (enxaqueca e cefaleia), seguida pelas dores na coluna (lombar e cervical) e as dores músculo-esqueléticas, geralmente causadas por degenerações ou um esforço repetitivo.

O exercício, segundo os médicos, é um ótimo aliado no combate à dor. Além de fortalecer os músculos, melhorar a postura e o condicionamento físico e relaxar, a atividade física estimula a produção de hormônios que inibem o desconforto.

– Sabemos que os atletas sentem menos dor que as pessoas sedentárias. Mas o exercício tem que ser recomendado por um profissional e deve ser adequado à idade, ao sexo e ao condicionamento físico, senão o efeito pode ser o contrário – destaca Manoel Jacobsen.

Se movimentar mais no dia a dia também ajuda. O neurologista Alexandre Amaral, diretor do Centro Multidisciplinar da Dor e coordenador de Ambulatório da Dor do Hospital de Servidores do Rio, ensina que levantar de hora em hora, fazer alongamentos específicos, acertar na escolha do colchão e do travesseiro e ajustar a cadeira do escritório podem fazer muita diferença na prevenção e no tratamento da dor.

– Quem sente muita dor acaba tendo o que chamamos de medo de movimento. Evita se mexer para o quadro não piorar, mas o que acontece é exatamente o oposto. O ser humano não foi feito para ficar parado – destaca Amaral.

O tratamento mais indicado por médicos combina várias especialidades, entre elas ortopedia, neurologia e fisioterapia, associados a medicamentos conhecidos como neuromoduladores, como os antidepressivos e os anticonvulsivantes. Os analgésicos costumam ser contraindicados, pois apenas mascaram a dor e podem piorar o quadro a longo prazo.

– Quem está com dor deve procurar um médico, porque há solução. Toda dor tem tratamento. A melhora pode não ser total, mas o paciente vai se livrar de, pelo menos, 70% do desconforto – afirma Braun.

No caso da enxaqueca, os analgésicos e anti-inflamatórios, quando tomados de forma indiscriminada, podem acabar provocando ou agravando a dor, em vez de tratá-la. Ao contrário dos neuromoduladores, as substâncias encontradas nestes medicamentos não tratam a causa do problema e ainda interferem na capacidade do organismo de combater o desconforto.

– Não há problema em tomar um analgésico se a dor for um evento isolado. Só que é preciso avaliar também se o medicamento é realmente necessário, já que o homem moderno não suporta mais nenhum desconforto.

Jacobsen lembra que alguns sinais de dor nunca podem ser ignorados. É o caso das dores no tórax, que podem indicar um infarto, ou as dores intensas na cabeça, principalmente se forem acompanhadas de vômito ou formigamento, que podem sinalizar um derrame.

Nem sempre a causa das dores de cabeça ou na coluna são o sedentarismo ou a cadeira do trabalho. A forma como as tarefas do dia a dia são feitas pode influenciar muito a diminuição ou o aumento dos incômodos. Usar salto alto, carregar bolsas pesadas, ler deitado ou passar roupas durante horas podem ter um impacto nas articulações, principalmente quando a pessoa se vicia em certas posições ou gestos. Em muitos casos, a musculatura pode acabar se atrofiando, causando uma série de problemas. O importante, segundo Alexandre Amaral, é não deixar a vaidade e a modernidade falarem mais alto que a saúde e o conforto.

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