Fisioterapia contra dor na relação sexual
22 abr, 2010 | Arquivado em: Notícias | Comentários » 1 |
Por medo e culpa a menina não contava para mãe. A esposa do senhor sabia de tudo, mas também se calava. Quando a mãe da menina descobriu, a atitude que tomou foi mudar-se do bairro.
A falta de diálogo e a repressão imposta pela família de descendência oriental fizeram com que a estudante crescesse calada, tendo sonhos, flashes dos acontecimentos da infância. D. C. R, hoje com 21 anos, só foi começar a resolver o trauma quando estava no cursinho, tentando uma vaga em uma faculdade pública de medicina.
Na época, a ansiedade, a timidez e a dificuldade de conseguir passar no tão sonhado vestibular, fizeram com que D. procurasse a terapeuta da instituição de ensino. Foi conversando com a médica que a menina se deu conta do tamanho de seu trauma e as implicações dele na sua vida afetiva e sexual.
Quando conseguiu entrar na universidade, D. C. R procurou o serviço médico de apoio ao aluno. Após passar novamente por uma terapeuta, ela foi encaminhada para o ambulatório de sexualidade da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), onde conheceu o Projeto Afrodite.
Desde 2005, na Unifesp, a ginecologista Carolina Carvalho Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite, atende mulheres que foram vítimas de abuso, sentem dor ou não conseguem ter prazer durante a relação sexual. O programa combina as áreas de psicologia, fisioterapia e ginecologia.
Para serem atendidas, as pacientes devem participar de três palestras sobre sexualidade que ocorrem mensalmente no ambulatório de ginecologia da Instituição. Depois, as mulheres que procuram por ajuda, passam por uma triagem para que as médicas identifiquem o problema e indiquem o tratamento mais adequado.
O Programa começou com o foco limitado, voltado apenas para mulheres na menopausa. Segundo a médica, nessa etapa de vida, a dificuldade para ter prazer é maior. “O apetite sexual diminui, a musculatura pélvica é mais flácida e compromete o desempenho sexual.”
O trabalho da fisioterapia, nesses casos, é fundamental. “As mulheres aprendem a fortalecer o músculo pélvico e descobrem que o prazer não tem idade.” Por conta da demanda no atendimento, muitas mulheres procuravam o ambulatório reclamando dos mais variados problemas, o trabalho ganhou um leque ilimitado de abrangência. “Tratamos todos os tipos de problemas ligados à sexualidade da mulher.”
No caso de D. C. R, o histórico repressivo, cultural, somado ao abuso sofrido na infância, provocou hipertrofia da musculatura vaginal, um distúrbio chamado vaginismo. A jovem entrava em pânico quando pensava em ter uma relação sexual.
“Minha mãe me colocava muito medo, nunca tratou o assunto com naturalidade. O pavor de que eu engravidasse e fosse uma vergonha para minha família fez com que eu não pensasse em sexo por muito tempo.”
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Sobre o Autor: FisioMovimento Terapias

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