Por que fazer fisioterapia?

Lá se vai o tempo em que os fisioterapeutas cuidavam apenas de atletas. Hoje eles tratam desde a celulite até as sequelas de derrame. E, na recuperação de traumas, seu papel é fundamental. Ainda assim, há quem largue as sessões antes do término — uma precipitação que é prejuízo na certa

por REGINA CÉLIA PEREIRA | fotos BETO RACKER | ilustrações RUBENS PAIVA

Katharina vai chegar no mês que vem. E no que depender de sua mãe, Juliane Marinho, tudo sairá como o previsto. Zelosa, a advogada paulistana se desdobra em cuidados com a alimentação desde que soube da gravidez. Também passou a dormir direito. Mas garante que sua grande aliada é a fisioterapia. “As sessões me ajudam a ficar relaxada e com maior flexibilidade”, diz Juliane.

Exercícios na água, atividades para fortalecer os músculos das costas e técnicas para melhorar a respiração são alguns dos procedimentos fisioterapêuticos indicados para as gestantes. Sem falar nos alongamentos, que são capazes até de afastar a hipertensão arterial na gestação — a perigosa pré-eclampsia —, segundo um estudo recente da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

O profissional pode aplicar movimentos de drenagem específicos para as grávidas, o que também ajuda na pressão ao atenuar inchaços”, afirma a fisioterapeuta Sabrine Pfeiffer, do Hospital e Maternidade São Luiz, na capital paulista.

Sempre com o aval do obstetra, as futuras mamães trabalham, ainda, a musculatura pélvica, o que facilita o parto e previne a incontinência urinária, mal que aflige de 10 a 52% das mães quando entram na menopausa. Aliás, quando o xixi escapa por qualquer bobagem, mais uma vez a fisioterapia é bem-vinda. “Em casos assim, uma das técnicas mais difundidas é o biofeedback”, conta a fisioterapeuta Milena Trudes Caires, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Com a ajuda de um equipamento, a paciente aprende a controlar a musculatura do assoalho pélvico, o que facilita na retenção da urina.

São apenas exemplos. A fisioterapia pode ajudar em inúmeras outras frentes. “Mas o fundamental é que o paciente reconheça a finalidade de cada procedimento e aprenda sua importância”, opina Maurício Garcia, fisioterapeuta do Instituto Cohen de Ortopedia, Reabilitação e Medicina do Esporte, em São Paulo.

Na Espanha, pesquisadores da Universidade de Murcia observaram, em um estudo com 184 pessoas que sofriam com dores crônicas, que a aderência ao tratamento foi maior entre aqueles que receberam explicações detalhadas sobre as técnicas fisioterápicas a que seriam submetidos. E fique claro: ir até o final das sessões é o que faz a diferença. Infelizmente, basta sentir alívio e a maioria dos pacientes fica na tentação de abandonar tudo — um passo em falso que pode custar caro.

Quem já torceu o pé, machucou o joelho ou deu aquele mau jeito na coluna deve se lembrar das sensações dolorosas que, muitas vezes, beiram o insuportável e são mais intensas nos primeiros dias póstrauma. Nessas horas, não há dúvida, a meta da fisioterapia é dar um fim ao sofrimento. E, durante as primeiras sessões, não costuma faltar gelo. É que a temperatura fria diminui a inflamação e combate o inchaço.

Passados os primeiros dias de crise, o especialista analisa uma penca de exames que apontam com precisão a área afetada e o tamanho da encrenca. Assim, elege os melhores aparelhos para tratar a lesão (confira o slideshow: uma mãozinha da tecnologia). Geralmente, são necessárias poucas sessões para que a dor desapareça — e, vale repetir, é aí que mora o perigo.

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