Repercussão da LER/DORT na vida do trabalhador

Além das alterações clínicas já faladas, a evolução da LER/DORT, trazem uma série de repercussões na vida do trabalhador.

Elas são:

– Ao longo de seu trabalho diário vai se formando uma resposta espontânea do organismo no sentido de atenuar a carga de trabalho que lhe é imposta. Contudo, a pressão a que o trabalhador é submetido para atingir a produtividade imposta é muito forte e, assim, ao tentar manter o ritmo exigido, acaba aumentando a dor.  Com isso, o trabalho fica mais penoso,  bem como tudo relacionado a ele, o que amplia espaços na vida do trabalhador  passa a adquirir conotação negativa. Desabafos iniciais, muitas vezes, são recebidos de forma jocosa penalizando mais o portador desse sofrimento.

– Com o afastamento do trabalho, outros fatores negativos são desencadeados na vida do trabalhador, que reunem-se no processo de adoecimento. Por exemplo, sua presença no lar motivado pela enfermidade modifica de maneira multiplicada e desordenada a rotina existente até então.  Somam-se as dificuldades na realizção das tarefas domésticas e aquelas de ordem pessoal, como um simples pentear de cabelo. Estas situações acabam levando o trabalhador a constrangimentos pelo sentimento de impôtencia, contribuindo para piorar as relações familiares e agravando, por fim, seu quadro clínico.

– O afastamento ainda gera reflexões e considerações negativas ligadas à insuficiência da capacidade de realização de trabalho, resultando, assim em: perda da aut-estima, sentimento de inferioridade, angústia, sofrimento e truncamento da carreira profissional.

– O trabalhador sente-se deprimido, o que leva a um isolamento crescente, aumento da ausência e desmotivação.

A estes fatores negativos constata-se a formação de um ciclo auto-alimentado no qual os fatores resultantes da doença transformam-se em geradores do seu agravo.

Este ciclo cresce sucessivamente e indefinidamente se medidas e ações eficazes não forem tomadas.

Nessa configuração, algumas endorfinas (substâncias produzidas pelo organismo), aliviadoras da dor, deixam de ser produzidas cortando a reação sedativa. Surge então, o compromentimento da saúde mental por onde passa o eixo que rege o individuo na sua totalidade.

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